Skeumorfismo vs ‘Desvirtualizando o virtual’

30/11/2012 Danilo Nobre
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Amou?

‘Desvirtualizando o mundo virtual’, pela falta de um ‘termo’ melhor, esse foi o escolhido por mim pra retratar em alguns trabalhos acadêmicos o conceito que eu sigo na criação das minhas interfaces, conceito esse que trata de utilizar de experiencias reais já conhecidas pelos usuários e refleti-las na própria interface, ou seja, pegando uma experiencia no mundo real e a aplicando no mundo virtual, da forma que a experiencia virtual seja mais amigável já que estariamos lembrando o usuário de uma experiencia que ele já conhece. O exemplo que eu utilizava nos trabalhos era o de um interruptor. Ao entrar numa sala escura você já é condicionado a procurar um interruptor que ao ser usado ‘trará’ a luz pra sala, a partir disso nós utilizaríamos essa experiencia já conhecida para ajudar o usuário a se guiar pela interface, seguindo o exemplo, num site escuro nós teriamos um interruptor que ao ser clicado traria luz pro site, o conceito parece simples, né?

Mas eis que em um de meus estudos recentes descobri que o tal do ‘Desvirtualizando o mundo virtual’ tem um nome científico, o Skeumorfismo (achei ele como ‘esqueumorfismo’ em espanhol, como não tenho a certeza se o termo em portugues tambem seria esse, vou ficar com o termo ‘original’ por enquanto), eu o descobri numa leitura sobre a interface utilizada no Windows 8, a Metro(vejo nela muitos pontos positivos mas em geral não me agrada, mas isso é um assunto pra outro post), interface essa que vai exatamente no caminho oposto do skeumorfismo. Pra balançar ainda mais esse quisito Metro x Skeumorfismo,  assim com a Microsoft é a empresa que tá levantando a bandeira da Metro, a grande seguidora do skeumorfismo é a… Apple.

Acho muito massa o fato de eu ter ‘aprendido’ esse conceito por osmose, sem que alguém tenha me explicado, mas sim conhecendo interfaces que a aplicavam e por notar o quanto isso engradecia o entendimento e a utilização da interface e apartir disso ter levando esse conceito adiante.

Bleez - Skeumorfismo - iCalSkeumorfismo quer dizer ‘Criar algo novo trazendo a aparência do velho, de forma que as funções de ambas estejam relacionadas’ (uma definição bem mais objetiva do que a minha do 1o paragrafo), como melhor exemplo eu posso usar o iCal da Apple, a interface foi toda desenhada de forma que o usuário assemelhasse a utilização dela à utilização de um calendário real, ou seja, a passagem das folhas, os pequenos pedaços de papel rasgado, a peça de couro que prende as folhas do calendário, entre outro detalhes lindamente aplicados, são interações com o aplicativo que lembram diretamente o manuseio de um calendário na vida real.

 

 

Bleez - Skeumorfistmo - Roxio Toast 11Outro exemplo que vale a pena citar é exatamente um dos primeiros aplicativos que me fizeram notar esse raciocinio, que é o Roxio Toast, programa pra gravação de mídias e inumeras outras tarefas relacionadas a isso pro Mac OS X, a interface não só se conteve em ter detalhes de realismo, como tambem aproveita pra brincar com a ideia de que as mídias seriam gravadas numa torradeiras(daí vem o ‘Toast’ no nome do app), ou seja, trazendo a ideia da simplicidade que é inserir uma torrada na torradeira e simplesmente esperar até que a torradeira ejete a torrada, e como é legal mostrar esse nivel de simplicidade para um usuário que não tem tanta experiencia no mundo digital.

Em seguida alguns exemplos do tal skeumorfismo presente em meus trabalhos:

Bleez - Skeumorfistmo - PiorskiBleez - Case Loja Virtual Piorski - Área Interação UsuárioBleez - Skeumorfistmo - IngressandoBleez - Skeumorfismo - Ricardo e Mariana

Claro que também temos pontos negativos e o principal deles é o excesso de Skeumorfismo, mas pra mim a solução é simples, como diz o ditado “A diferença entre o remédio e o veneno está na dosagem”, então a gente sabendo dosar, sabendo que não precisa enfeitar toda a interface para atrelarmos as experiencias reais na nossa experiencia virtual, conseguiremos atingir nosso objetivo sem ser cansativo ou apelativos demais.